Ano 2016 - Volume 38, Número 1002


Título
Avaliações morfológica e imuno-histoquímica (Troponina C) de lesões cardíacas em cães com doença renal crônica, 38(Supl.2):128-138, 2016
Autores

Resumo
RESUMO. D’Avila M.S., França T.N., Peixoto P.V., Peixoto T.C., Santos A. M., Costa S.Z.R., Santos R.S., Gonçalves T. & Nogueira V.A. [Morphologi-
cal and immunohistochemical (Troponin C) evaluation of cardiac lesions in dogs with chronic kidney disease.] Avaliações morfológica e imuno-histoquímica (Troponina C) de lesões cardíacas em cães com doença renal crônica. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, 38(Supl.2):128-138, 2016. Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, Área de Concentração em Patologia Animal, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rodovia BR-465 Km 7, Seropédica, RJ 23890-000, Brasil. E-mail: mariana_davila@hotmail.com

Este trabalho teve como objetivos verificar a correlação entre doença renal crônica (DRC) e lesões cardiovasculares, bem como avaliar a real extensão dessas alterações e averiguar a confiabilidade do teste imuno-histoquímico com o uso do anticorpo antitroponina C humana na detecção de lesões cardíacas em cães. Foram utilizados fragmentos de coração e rins emblocados em parafina de 22 cães (11 machos e 11 fêmeas) com diagnóstico prévio de doença renal crônica. Os animais eram provenientes dos Setores de Patologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pertenciam a diferentes raças e tinham entre 11 meses e 18 anos de idade. O exame macroscópico revelou, no coração de cinco cães, moderado a acentuado espessamento da parede do ventrículo esquerdo. Verificou-se ainda endocardiose em graus variados. Lesões extra-renais de uremia incluíram glossite e estomatite ulcerativas, pneumopatia e gastropatia urêmicas, ulceração da mucosa estomacal e mineralização na faringe, laringe e subpleural à altura dos músculos intercostais. As lesões renais crônicas eram bem marcadas e caracterizadas por marcada diminuição de volume, textura firme, superfície irregular e alteração na relação córtico-medular. A avaliação microscópica revelou, nos rins de todos os cães, lesões de diferentes graus. Em casos mais severos, havia hialinização e esclerose glomerular, inflamação linfo-plasmocitária, necrose de coagulação das células tubulares, fibrose intersticial e mineralização. No coração de 16 animais observaram-se grupos de cardiomiócitos hipereosinofílicos com citoplasma de aspecto homogêneo e, em alguns casos, havia perda de estriação e picnose; em 14 cães havia edema, inflamação linfo-plasmocitária e mineralização. Em outros 2 animais havia tumefação e vacuolização das células cardíacas e, em 3, necrose coagulativa marcada. Em 11 cães observou-se, nos vasos do coração, leve tumefação das células endoteliais a necrose, com deposição de material eosinofílico na parede vascular, além de mineralização. A avaliação imuno-histoquímica revelou, em todos os cães, diversos grupos de miócitos com redução significativa ou ausência de imunorreatividade para o anticorpo anti-troponina C. Essas áreas, via de regra, correspondiam aos mesmos grupos de miócitos que, corados pela H.E., apresentavam alterações como tumefação celular, hipereosinofilia citoplasmática, perda de estriação, lise celular,cariólise e infiltrado inflamatório predominantemente composto por linfócitos e plasmócitos. Sugere-se que as lesões miocárdicas observadas neste estudo estão estreitamente correlacionadas às alterações vasculares, resultantes da uremia de longa duração e/ou da combinação de alterações metabólicas e celulares que ocorrem na síndrome cardiorrenal tipo IV, na qual o comprometimento crônico do rim pode induzir lesões crônicas no coração.
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