Ano 2016 - Volume 38, Número 1002


Título
Avaliação da perfusão vascular e do nível de colesterol e estrógeno em folículos préovulatórios de éguas em condições de desconforto térmico, 38(Supl.2):67-74, 2016
Autores

Resumo
RESUMO. Oliveira J.P., Mello D., Silva O.R., Agostini C.R.O., Jacob J.C.F. & Mello M.R.B. [Assessment of vascular perfusion and cholesterol and estrogen levels in preovulatory follicles of mares in conditions of thermal discomfort.] Avaliação da perfusão vascular e do nível de colesterol e estrógeno em folículos préovulatórios de éguas em condições de desconforto térmico. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, 38(Supl.2):67-74, 2016. Departamento de Reprodução e Avaliação Animal, Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR 465 Km 7, Seropédica, RJ 23890-000, Brasil. Email: jhonnatha@ig.com.br

O objetivo do presente estudo foi avaliar o padrão de perfusão sanguínea de folículos dominantes submetidos à indução da ovulação com hCG por meio da ultrassonografia Color Doppler e os níveis de colesterol e estrógeno em folículos préovulatórios de éguas submetidas ou não ao desconforto térmico. Para tanto, 15 ciclos estrais de éguas distribuídas aleatoriamente entre os grupos conforto (Grupo I) e desconforto térmico (Grupo II) foram acompanhados por ultrassonografia transretal periodicamente até que o maior folículo atingisse diâmetro maior ou igual a 32mm. Nesse momento, as éguas receberam 1000UI de Chorulon® (hCG), e tiveram o folículo préovulatório acompanhado por ultrassonografia Doppler de 6 em 6 horas, até 24 horas, momento em que foram realizadas as aspirações do fluido folicular para dosagem de colesterol e estrógeno. A perfusão vascular folicular foi estimada de maneira subjetiva levando-se em consideração o percentual da circunferência da parede folicular com sinais Doppler coloridos. O fluido folicular aspirado foi recuperado e centrifugado a 1000G por 15 minutos, sendo o sobrenadante recuperado e armazenado em criotubos a -20ºC até que a dosagem de colesterol e estrógeno fosse realizada. Para caracterizar o ambiente térmico foi usado o teste do Índice de Temperatura e Umidade (ITU) segundo Hansen (2005), e para caracterizar a adaptação dos animais ao ambiente térmico foram utilizados o Coeficiente de Tolerância ao Calor (CTC) e o Coeficiente de Adaptabilidade (CA). O ITU médio encontrado para o período analisado (março e abril de 2014) foi de 58,33, o que não caracteriza ambiente estressante para os animais. Após análise dos dados bioclimáticos, foram encontrados valores médios de CTC do Grupo I, 95,47 e do Grupo II, 87,14, sendo que essas médias diferiram estatisticamente entre si (p<0,05), apontando uma tolerância maior do Grupo I quando comparado ao Grupo II. A média de CA encontrada para o Grupo I foi de 3,84 e para o Grupo II de 4,29, valores que diferiram entre si (p<0,05), mostrando uma maior adaptabilidade do Grupo I em relação ao Grupo II. Os valores médios de perfusão vascular dos folículos préovulatórios foram: Grupo I: H0=32,5%; H6=43,75%; H12=41,85%; H18=33,75%; H24=42,5%; Grupo II: H0=24,85%; H6=41,42%; H12=48,57%; H18=38,57%; H24=47,14%. Não foram encontradas diferenças estatísticas (p>0,05) entre o percentual de perfusão vascular folicular, entre os grupos, nos momentos analisados. Os valores médios de colesterol e de estrógeno para os Grupos I e II foram, respectivamente, 51,62mg/ml e 46,14mg/ml e 325.739,64pg/dL e 316.381,05pg/dL. Não foram encontradas diferenças estatísticas significativas (p>0,05) entre os grupos. Estes resultados demonstram que ambientes que privam os animais de sombra são passíveis de gerar desconforto térmico, ainda que os índices não apontem ambiente estressante para o animal. No entanto, esse desconforto não foi o suficiente para prejudicar, a esteroidogênese ou percentual de vascularização folicular em 24 horas.
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