Ano 2016 - Volume 38, Número 1001


Título
Estudo clínico-patológico no diagnóstico do hipotireoidismo em cães, com ênfase nas alterações dos músculos piloeretores, 38(Supl.1):147-155
Autores

Resumo
RESUMO. González A.A.P., França T.N., Ramadinha R.R., Nogueira V.A., Mascarenhas M.B., Peixoto T.C., Costa S.Z.R. & Peixoto P.V. [Clinical pathological study on hypothyroidism diagnosis in dogs, with emphasis on changes in piloerector muscles.] Estudo clínico-patológico no diagnóstico do hipotireoidismo em cães, com ênfase nas alterações dos músculos piloeretores. Revista Brasileira de Medicina Veterinária 38(Supl.1):147-155, 2016. Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 23890-000, Brazil. E-mail: pfpeixoto19@gmail.com

Dada a elevada frequência de hipotireoidismo em cães no Brasil, o estabelecimento do real significado da hipertrofia dos músculos piloeretores, que tem sido observada em parte dos casos desse distúrbio, é importante para o patologista, uma vez que outros exames laboratoriais muitas vezes não são conclusivos. Dessa forma este estudo objetivou estabelecer em que medida há ou não correlação entre a hipertrofia e vacuolização desses músculos e a baixa de hormônios tireoidianos nos cães e qual o seu eventual significado diagnóstico, bem como descrever os achados clínicos e dermato-histopatológicos comuns em cães hipotireoideos no Brasil. Entre novembro de 2001 e outubro de 2002, no Setor de Dermatologia do Hospital Veterinário de Pequenos Animais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, foram avaliados 200 cães, de ambos os sexos, com dermatopatia suspeita de estar associada ao hipotireoidismo e que responderam ao tratamento com reposição hormonal. Biópsias cutâneas, dosagens hormonais, raspados cutâneos, tricogramas e exames citológicos foram realizados. Cães entre 2 e 4 anos foram os mais acometidos e a enfermidade afetou mais fêmeas (61%) do que machos (38,9%). Animais de 32 raças, principalmente, Poodle, Cocker Spaniel e Pastor Alemão foram acometidos. Observaram-se letargia, obesidade e distúrbios reprodutivos. Alterações cutâneas como hipotricose, alopecia, pelagem fosca e quebradiça, prurido, seborreia e hiperpigmentação foram frequentes. Hipopigmentação, espessamento da pele e mixedema de face também foram evidenciados. O exame histopatológico revelou acantose, hiperqueratose, alterações foliculares sobretudo folículos em fase telogênica, hipertrofia (70,5%) e vacuolização (cervical - 53,8% e lombar - 89,4%) de músculos piloeretores. Esses achados indicam que as alterações dos músculos piloeretores (hipertrofia e vacuolização) têm importância no diagnóstico do hipotireoidismo, contudo, a associação dessas alterações com outros achados histológicos como espessamento da derme, queratinização tricolemal, predominância de folículos em fase telogênica e atróficos, torna o exame histopatológico ainda mais útil no diagnóstico do hipotireoidismo
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