Ano 2016 - Volume 38, Número 2


Título
Rinosporidiose nasal em eqüino do Sul do Rio Grande do Sul, Brasil - Relato de caso, 38(2):175-180
Autores

Resumo
RESUMO. Bernardo F.D., Pazinato F.M., Alves C.E.F., Bueno V.L.C, Franciscato C. & Elias F. [Equine Nasal rhinosporidiosis in the Southern Rio Grande do Sul, Brazil - Case Report.] Rinosporidiose nasal em eqüino do Sul do Rio Grande do Sul, Brasil - Relato de caso. Revista Brasileira de Medicina Veternária, 38(2):175-180, 2016. Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Realeza, Av. Edmundo Gaievski 1000, Realeza, PR 85770-000, Brasil. E-mail: fabiobernardo104@gmail.com

A rinosporidiose é uma infecção crônica caracterizada pelo crescimento de estruturas polipóides em membranas mucosas. Seu agente etiológico é Rinosporidium seeberi atualmente reconhecido como um parasito protista. Suspeita-se que seja um saprófita da água o que permite sua transmissão pelo contato com água contaminada ou até mesmo através da inalação, sendo esta via associada principalmente com infecção em humanos. Tendo em vista poucos casos descritos no Brasil e a necessidade de melhor conhecer sua epidemiologia o objetivo deste trabalho é relatar um caso de rinosporidiose em um equino de dois anos, sem raça definida. O animal, proveniente da cidade de Pelotas, foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinária da Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, onde demonstrou espirros e secreção nasal serosa bilateral. Medialmente na região do septo nasal na narina esquerda verificou-se a presença de um nódulo polipoide granulomatoso com aproximadamente três cm de diâmetro. O mesmo apresentou consistência friável e coloração avermelhada com pequenas granulações esbranquiçadas. Sendo que os parâmetros clínicos e o hemograma estavam dentro dos valores de referência para a espécie; e na endoscopia das vias aéreas não foram observadas alterações. Realizou-se exérese cirúrgica da massa tumoral através de anestesia geral injetável e bloqueio local do ramo bucal dorsal do nervo facial. O procedimento foi realizado com auxílio de pinça de Allis e bisturi e posterior cauterização da base de implantação com nitrogênio líquido. Fragmentos da massa foram imersos em formol 10% para histopatologia. Aproximadamente 15 dias após o procedimento, a ferida cirúrgica apresentou cicatrização completa. Na histologia verificaram-se numerosas estruturas compatíveis com esporângios de R. seeberi, em diferentes estágios de maturação, em meio a tecido conjuntivo imaturo e intenso infiltrado inflamatório onde predominavam macrófagos e células polimorfonucleares (neutrófilos e eosinófilos). A lesão, formada pela reação inflamatória frente ao parasita, explica os sinais clínicos demonstrados pelo equino devido obstrução parcial do fluxo de ar e irritação da mucosa. Já as granulações esbranquiçadas verificadas na macroscopia correspondem aos esporângios do agente. Salienta-se que os achados clínicos, macroscópicos e histopatológicos foram semelhantes a outros relatos, porém já foram encontrados casos com curso clínico mais severo incluindo dificuldade respiratória e acometimento de estruturas anatômicas mais inferiores do sistema respiratório, como laringe. A ressecção cirúrgica da massa possui excelentes resultados e ótimos prognósticos; porém, podem ocorrer recidivas tardias o que exige acompanhamento prolongado do caso. Ressalta-se que este foi o segundo caso da enfermidade diagnosticado no mesmo bairro da cidade. Isso leva a suspeitar da existência de fonte de infecção no local e reforça a necessidade de investigar a presença do agente no ambiente, como a detecção de esporos em água estagnada, bem como realizar estudos soroepidemiológicos; contribuindo, desta forma, para o conhecimento da epidemiologia, ainda não bem esclarecida, desta enfermidade. Conclui-se que os sinais clínicos, a patologia e a visualização dos esporângios de R. seeberi foram suficientes para confirmar o diagnóstico. Além disso, deve-se incluir a rinosporidiose como diagnóstico diferencial de outras afecções do sistema respiratório de equinos na região Sul do Estado.
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