Ano 2016 - Volume 38, Número 2


Título
Mastocitoma cutâneo canino, com progressão de baixo grau para alto grau - Relato de caso, 38(2):147-152
Autores

Resumo
RESUMO. Calazans S.G., Fonseca-Alves C.E., Rodrigues P.C. & Magalhães G.M. [Canine cutaneous mast cell tumor, with progression of low-grade to high-grade - Case report.] Mastocitoma cutâneo canino, com progressão de baixo grau para alto grau - Relato de caso. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, 38(2):147-152, 2016. Curso de Medicina Veterinária, Universidade de Franca, Av. Dr. Armando Salles Oliveira, 201, Parque Universitário, Franca, SP 14404-600, Brasil. E-mail: sabryna.calazans@gmail.com

O mastocitoma é a neoplasia cutânea mais comum em cães e apresenta comportamento biológico variável. Muitos trabalhos na literatura buscam definir marcadores prognósticos e preditivos para esta neoplasia, no entanto, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos é difícil predizer recidivas e metástases deste tumor. A progressão tumoral também é um aspecto importante para as diversas neoplasias, e em neoplasias prostáticas caninas e no carcinoma de células escamosas essa progressão é bem definida, no entanto, em relação ao mastocitoma cutâneo canino não há uma descrição clássica dessa progressão. Devido à importância dessa neoplasia em cães, o presente trabalho descreve a conduta diagnóstica e abordagem terapêutica de um caso de mastocitoma cutâneo canino com progressão do grau histológico. Um cão da raça Shar-pei, cinco anos de idade, não castrado, pesando 20 kg, foi encaminhado para atendimento, com histórico de alopecia e prurido crônico, apresentando nódulo localizado em membro pélvico esquerdo. O nódulo foi retirado cirurgicamente e o material foi encaminhado ao exame histopatológico e imunoistoquímico revelando mastocitoma de baixo grau, marcação membranosa de c-kit (KIT I) e proliferação celular (ki-67) menor que 23 células, contadas em cinco campos de grande aumento. Cinco meses após diagnóstico inicial, o animal retornou apresentando nódulo aderido e localizado na ferida cirúrgica. Após diagnóstico de mastocitoma através do exame citológico, iniciou-se quimioterapia objetivando citorredução, no entanto, notou-se crescimento tumoral. Como a tentativa de redução tumoral não foi satisfatória e surgiram novos nódulos, optou-se por realizar retirada cirúrgica. Em nova avaliação histopatológica e imunoistoquímica, verificou-se progressão tumoral, com diagnóstico de mastocitoma de alto grau, marcação citoplasmática de c-kit (KIT III) e proliferação celular (ki-67) maior que 23 células. Após o procedimento cirúrgico, houve recidiva tumoral e iniciou-se protocolo terapêutico com inibidor de tirosina quinase. Nos primeiros dias o paciente tolerou bem a medicação, mas sem resposta clínica e, 20 dias após início do tratamento, apresentou efeitos adversos evoluindo para óbito. Os mastocitomas são neoplasias comuns nos cães da raça Shar-Pei, pelos quais os exames histopatológicos e imunoistoquímicos devem ser cautelosamente avaliados como fatores prognósticos. Mastocitomas recidivantes ou mestastáticos podem apresentar padrões mais agressivos em relação ao tumor primário, fazendo-se necessário o acompanhamento clínico durante a evolução da doença nos pacientes acometidos por esta neoplasia.
Download / Visualização